Entrevista concedida à revista Gloss

Fevereiro de 2011

Tema – Infecção genital

 

AIDS

 

O que provoca?

O retrovírus HIV e são 2 tipos: o HIV-1 (distribuição universal) e o HIV-2 (África ocidental)

 

Quais são os sintomas?

- Assintomático no início da infecção na grande maioria dos infectados, porém, em 20% a 30% dos indivíduos, logo após a entrada do agente, ocorrem febre, mal-estar, ou seja, sintomas de gripe comum.
- Na fase intermediária da doença, os sintomas são mais escassos, o que se pode observar, mais frequentemente, são linfonodos (conhecidos popularmente por gânglios) discretamente aumentados.
- Na fase da SIDA observa-se infecções e cânceres característicos de imunodepressão como a pneumonia, infecção no cérebro e sarcoma de Kaposi. 

Como deve ser tratado?

- Relevantemente por um adequado acompanhamento saúde que orientará acerca do doença, suporte psicológico ao paciente e aos familiares a qual permitirá uma vida social, familiar e profissional normal.
- Também é muito importante o uso de associações de medicações antiretrovirais os quais são fornecidos gratuitamente.

 

Tem cura?

- Até o presente, não existem evidências que algum tratamento remeteu a cura.

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- 60% das infecções ocorrem por contato sexual.
- 30% por transmissão sanguínea, destaca-se que com o maior controle das derivados sanguíneos este meio de infecção tem decrescido acentuadamente, portanto, a maior parte desta transmissão é dado pelos usuários de drogas endovenosas.
- 3% a 5% por transmissão vertical (mãe para o filho durante a gestação ou parto), porém, o uso de medicações antiretrovirais diminuem este risco muito significantemente.
- Acidentes com materiais perfuro-cortantes por profissionais de saúde.
- Existem outras formas de transmissão que são relatadas, muito embora, sua ocorrência é muito contestada como a inseminação artificial, transplante de órgãos contaminados.
- Cabe destacar que não ocorre a transmissão por contatos sociais.

 

HPV

 

O que provoca?

- O DNA vírus HPV (papiloma vírus humano) o qual infecta somente a pele e as mucosas.

 

Quais são os sintomas?

- Na maioria dos pacientes infectados a infecção é assintomática, em uma pequena parcela dos indivíduos infectados ocorrem o aparecimento de verrugas principalmente nas regiões genitais e anais cujo tamanho podem variar de milímetros a centímetros, habitualmente, esbranquiçados e indolores. Via de regra, aparecem mais do que uma, estas verrugas, são denominadas de condilomas acuminados.
- Em outra fração das infectadas, de modo completamente assintomático, o vírus podem induzir alterações nas células infectadas, principalmente no colo do útero. Estas mudanças refletem tanto na aparência da célula vista ao microscópio quanto no seu comportamento. Posteriormente, em uma proporção muito baixa destas mulheres com estas alterações celulares induzidas pelo HPV, evoluem para um câncer de colo uterino. Assim, convém salientar que o exame de Papanicolau o qual avalia as características das células da vagina e colo é fundamental para diagnosticar estas alterações e desse modo alertar o médico e a paciente sobre o risco e, por conseguinte, algumas medidas podem ser feitas para evitar o progressão da enfermidade.

 

Como deve ser tratado?

- Fundamentalmente, por acompanhamento médico, dado que em algumas vezes, as alterações celulares podem regredir sem qualquer intervenção, e muitas vezes, a melhora da qualidade de vida com repouso e alimentação adequada robustece o sistema imunológico que por sua vez combaterá o vírus mais eficazmente.
- As verrugas devem ser removidas e para este fim podem ser utilizados a retirada com lâminas de bisturi, destruição térmica com frio ou calor extremos ou química.
- Também, podem ser utilizados medicações que ao serem aplicados na área de interesse, estimulam a resposta imunológica.

 

Tem cura?

- A grande maioria dos casos com a remissão dos sintomas o vírus desaparece, no entanto, em algumas pacientes o HPV pode permanecer em latência e manifestar posteriormente na forma de verrugas ou remeter à alterações celulares se evoluírem levam ao câncer do colo uterino.

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- A transmissão também podem ocorrer durante a gravidez.
 

Gonorréia

 

O que provoca?

- A bactéria Neisseria gonorrhoeae é o agente etiológico e pode provocar infecções em diversos locais desde a glândula de Bartholin aquela que localiza na entrada da vagina até infecção articular. No entanto, o quadro clinico mais freqüente causada pela gonorréia é a uretrite no homem e a doença inflamatória pélvica (DIP) na mulher, ou seja, a infecção da uretra e dos órgãos genitais internos. A uretrite no homem manifesta com dor na micção e saída de secreção purulenta pelo meato uretral e a DIP causada pela gonorréia, habitualmente, manifesta-se com dor pélvica intensa, febre, dor na relação sexual, corrimento purulento e outros.

 

Como deve ser tratado?

Com antibióticos.

 

Tem cura?

- Sim, com o uso dos antibióticos.

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

Basicamente ocorre pelo coito.
 

Clamídia

 

O que provoca?

- A Chlamydia trachomatis, analogamente à Neisseria gonorrhoeae, infecta os mesmos locais, porém, os sintomas costumeiramente são mais discretos, tanto que em 70% das infecções por este agente as pacientes são assintomáticas. Desta forma, ao não manifestar a infecção pode progredir de modo silencioso e levar alterações principalmente nas tubas uterinas e assim com o tempo evoluir para a obstrução das mesmas e assim a paciente ficar infértil.

 

Quais são os sintomas?

- Na maioria dos casos não ocorrem sintomas, porém, a uretrite no homem manifesta-se com secreção mucosa e discreta dor para urinar e na mulher discreta dor pélvica, dor no coito e infertilidade nos casos avançados.

 

Como deve ser tratado?

- Por meio de antibióticos.

 

Tem cura?

- Sim

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- Não
 

Herpes

 

O que provoca?

- Os agentes etiológicos da herpes genital são em 90% dos casos o vírus da herpes simples 2 (HSV2) e em 10% o HSV1.

 

Quais são os sintomas?

- Inicia-se com desconforto genital e posteriormente surgem pequenas bolhas que se rompem facilmente e então surgem as úlceras genitais, via de regra, dolorosa, superficial e múltiplas e algumas vezes coalescentes.

 

Como deve ser tratado?

- Com analgésicos e dependendo da fase do sintoma e da freqüência da infecção com antivirais.

 

Tem cura?

- Em parte daqueles que tiveram a infecção o vírus pode nunca mais se manifestar, mas, em outra parcela podem ocorrer novas crises em situações de baixa imunidade.

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- Transmissão vertical, por outros contatos íntimos além do coito.
 

Hepatite

 

O que provoca?

- Existem diversos tipos de vírus que provocam hepatite aquele que relevantemente pertence ao escopo da DST é a hepatite B (HBV)

 

Quais são os sintomas?

- O espectro dos sintomas é amplo pode ser assintomático ao caso extremo de hepatite fulminante com rápida evolução para óbito, felizmente, esta situação é a exceção.
- Quando a infecção se manifesta os sintomas é a icterícia (cor amarelada na pele e nas mucosas), queda do estado geral, febre, dor em abdome e outros.

 

Como deve ser tratado?

- Observação e orientação
- Antivirais

 

Tem cura?

- A maioria tem cura espontânea e em outra parcela a vírus pode permanecer circulante sem remeter à prejuízos no indivíduo ou permanecer e levar, após alguns anos, à hepatite crônica.

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- Transfusão sanguinea, vertical e contato intimo.
 

Sífilis

 

O que provoca?

- A Sífilis ou Lues é uma complexa doença sistêmica que pode tornar-se crônica causada pela Treponema pallidum.

 

Quais são os sintomas?

- Período de incubação – Ocorre de 10 a 90 dias após a inoculação, com mé­dia ao redor de 21 dias. Não existem sinais ou sintomas, tampouco detecta-se anticorpos.
- Fase primária – Surgem apenas sinais e/ou sintomas locais característica da infecção distinguida pelo cancro duro, ou seja, úlcera geralmente isolada, com bordas nítidas e sobrelevadas, dura, indolor e com fundo lim­po e acompanhado do aumento de volume dos linfonodos inguinais os quais se tornam duros, móveis, isolados, porém, indolores.
- Fase secundária -Após período de latência de 6 a 8 se­manas ocorre o secundarismo, que se caracteriza pela propagação das espiroquetas pelo corpo e assim surgem manifestações gerais como febre, cefaléia, astenia e mialgia, micropolilinfonodomegalia generalizada e manifestações tegumentares.
- Fase de latência – Ocorre nos indivíduos não tratados; a doença é assintomática e caracteriza-se pela presença de reações sorológicas positivas. A doença pode permanecer assim por até 40 anos.
- Fase terciária – Caracteriza pela recrudescência da doença, atualmente, é muito raro, pois, ao considerar a evolução natural da infecção, o terciarismo ocorre somente em torno de 30% das pacientes que não receberam tratamento; bem como, muitas pacientes recebem antibioticoterapia por outra infecção como a amigdalite e desse modo alcançam a cura, acrescenta-se, ainda, o rastreamento sorológico que permite o diagnóstico na fase latente e tratamento subseqüente.  O espectro dos sintomas e sinais são amplos na fase terciária dado que a Lues pode comprometer a pele, os ossos e as vísceras com formações de nódulos, placas ou úlceras.

 

Como deve ser tratado?

- Por meio de antibiótico.

 

Tem cura?

- Sim

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- Transmissão durante a gravidez remete à Lues neonatal que pode se manifestar com diversas malformações no feto.
- Também, pode ser transmitido por acidente com objetos perfurocortantes contaminados e por transfusão sanguínea.

 

Cancro Mole

 

O que provoca?

- Doença aguda ulcerativa, geralmente ocorre nas regiões anogenitais. Tem como agente etiológico o Haemophilus ducreyi.

 

Quais são os sintomas?

- Inicia-se com pequeno nódulo avermelhado que eventualmente se transforma em nódulo com pus. As pústulas podem ter necrose central e aumentar de tamanho, formando as úlceras características da doença – geralmente múltiplas, dolorosas, com secreção purulenta e hemorrágica.

 

Como deve ser tratado?

- Com antibióticos

 

Tem cura?

- Sim

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- Não
 

Candidíase

 

O que provoca?

- A cândida é fungo gram-positivo, saprofita, que sob determinadas condições multiplica-se por esporulação, tornando-se patogênico. É responsável por 20 a 25% dos corrimentos genitais de natureza infecciosa.

 

Quais são os sintomas?

- O quadro clínico caracteriza-se por corrimento branco, em placa, aderente, com aspecto de leite coalhado. O prurido é, ha­bitualmente, tão intenso que determina vermelhidão, maceração e es­coriações na região vulvar.

 

Como deve ser tratado?

- Com antifúngicos, analgésicos ou anti-histamínicos.

 

Tem cura?

- Os sintomas podem regredir com o tratamento, porém, o agente jamais é erradicado, pois, vive de modo comensal na pele, no intestino e diante de nova oportunidade pode remanifestar.

 

Além do sexo, há outro meio de contaminação?

- A transmissão não ocorre pela relação. Todo ser humano no mundo tem a colonização pela cândida no nascimento.

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