Entrevista concedida à revista Viva Mais

Novembro de 2009

Tema – Exames de Rotina

 

1. Qual é o principal motivo de fazer exames anuais de rotina?

 

- Atualmente, as correntes da medicina que cada vez tem tido maior destaque são a preventiva e a preditiva. Dentre deste contexto, os exames anuais de rotina são aqueles que possibilitam o diagnóstico precoce de circunstâncias que poderiam levar à situações de maiores riscos à saúde (preventiva), bem como, aqueles que advertem sobre os riscos de desenvolvimento de determinado doença em determinado indivíduo e desse modo, possibilita individualizar as orientações e os tratamentos de acordo a característica da paciente (preditiva).

 

2. É preciso estar doente ou com sintomas para fazê-los?

 

- Os exames de finalidade preventiva ou preditiva, conforme descrito acima, não necessariamente a paciente precisa apresentar alguma queixa ou ter algum sinal observado pelo médico para serem solicitados. Já, os exames com finalidade de subsidiar um diagnóstico específico, frequentemente, são pedidos diante de alguma suspeita clínica.

 

3. Quais são os procedimentos ginecológicos que toda mulher deve fazer anualmente?

 

Antes dos exames de rotina, cabe relembrar que o cuidado primário e fundamental é a avaliação do clínico de preferência com boa formação ginecológica. E, cuja consulta, abrange a história da paciente, seus antecedentes pessoais, familiares, suas preferências, suas limitações e outros dados relevantes para um bom cuidado da paciente. A consulta também compreende do exame físico e especificamente da parte ginecológica destaca-se a avaliação da mama, abdome e pelve.

 

Compõem os exames de rotina:

 

Citologia vaginal (Exame de Papanicolau) e/ou colposcopia – Esses exames detectam alterações no colo do útero e na vagina que poderiam levar à cânceres nestas regiões, bem como, permitem a avaliar a presença de determinados tipos de infecções na vagina e também deduzem acerca da situação dos hormônios sexuais da mulher. E, devem ser feitos pelo menos uma vez ao ano a partir do início da vida sexual.

 

Mamografia – Permite observar imagens suspeitas de câncer precoce nas mamas – Sua rotina de solicitação tem sido muito debatido, porém, a conduta mais seguida é a avaliação a cada dois anos entre os 40 aos 50 anos e anual após 50 anos. A presença de antecedente de câncer de mama em mãe ou irmã leva a maior precocidade e freqüência da mamografia.

 

Densitometria óssea – Avalia a quantidade de cálcio nos ossos, e desta forma, deduz se está normal, baixo (osteopenia) ou muito baixo (osteoporose) e assim, nos casos em que se observam a redução de cálcio pode-se utilizar algumas medicações cuja a finalidade é estacionar ou ao menos diminuir a perda de cálcio que ocorre com o progresso da idade. Habitualmente é solicitado como exame de rotina anualmente após 50 anos.

 

Ultra-som pélvico – Analisa o útero e os anexos uterinos (tubas uterinas e ovários), e desta forma permite o diagnóstico de afecções na cavidade uterina como pólipos e espessamento inespecífico da cavidade uterina bem como da parede uterina como os miomas uterinos ou em ovários como cistos ou nódulos. É sugerido sua realização rotineira pelo menos uma vez ao ano, principalmente, após 50 anos. Porém, dado que algumas afecções citadas acometem a mulher na idade reprodutiva, portanto, muitos médicos optam por solicitar este exame rotineiramente a partir da primeira consulta ginecológica.

 

Marcadores plasmáticos – CA 125, CA 19-9, CA 15-3 e outros tiveram como função inicial o diagnóstico precoce de cânceres, porém, observou-se diversas outras doenças benignas poderiam aumentar estes marcadores, portanto, pode ser utilizado como rastreamento, no entanto, o resultado positivo não necessariamente implica em um câncer bem como a resultado negativo não afasta completamente esta possibilidade. Via de regra, estes marcadores são solicitados como exame de rotina a partir do 50 anos, anualmente.

 

Rastreamento infeccioso – Infecções como a lues (sífilis), hepatite B e C e HIV devem ser investigados rotineiramente pelo menos uma vez ao ano, a partir do início da atividade sexual.

 

Outros exames que habitualmente, são solicitados pelos clínicos gerais ou outros especialistas também são relevantes para o ginecologista como aqueles que avaliam a tireóide, fígado, glicemia, anemia e outros.

 

4. Estas doenças tem cura?

 

- Em relação à possibilidade de cura cumpre salientar que, de modo genérico, qualquer tipo câncer tem possibilidade de cura, principalmente, quando o diagnóstico acontece na fase inicial. Por esta razão, a citologia vaginal, a mamografia e o ultra-som pélvico são exames de rotina. Atualmente, a osteoporose não é revertida, mas, pode ser diminuída. Já as infecções são rastreadas com intuito curar como a Lues e controlar a evolução nas demais citadas, a proteção do(s) parceiro(s) também faz parte da orientação. 

 

5. A mulher que deseja engravidar precisa ter quais cuidados? Quais exames ela deve fazer?

 

- O principal cuidado para mulher que deseja engravidar é procurar o médico, pois, a avaliação clínica geral juntamente com as orientações em relação ao peso, dieta, atividade físico são os principais itens para preparar a mulher para a gravidez.

- Em relação aos exames de rotina, cabe destacar que, habitualmente não é procedido exames para avaliar a fertilidade de maneira rotineira, pois, somente 20% dos casais são inférteis, ou seja, a maioria das mulheres conseguem engravidar sem a necessidade de avaliação da fertilidade.

- Porém, juntamente com todos os exames pertinentes com a idade citados anteriormente é válido que os testes de toxoplasmose, a rubéola, assim como, a tipagem sanguínea sejam conferidos anteriormente à gravidez. 

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