Síndrome de Ovários Policísticos

O conjunto de alterações caracterizado por aumento da ação da testosterona (hiperandrogenismo), deficiência de ovulação e aumento do volume ovariano caracterizado por 12 ou mais cistos de 2 a 9 mm são os critérios para o diagnóstico da SOP. As suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas, porém, sabe-se que decorre de vários fatores, bem como, sua manifestação clínica é bem variada. E, afeta em torno de 5% a 10% das mulheres na idade reprodutiva.

O aumento da testosterona ou da sua ação na mulher leva ao hiperandrogenismo caracterizado por hirsutismo (aumento de pelos), queda de cabelo, acnes, irregularidade menstrual (principalmente, diminuição da frequência menstrual), aumento da gordura no abdome. Em situações extremas, pode-se observar alteração da voz, aumento significativo do clitóris e aumento desproporcional da massa muscular. Dentre as desordens que aumentam os androgênios, a SOP é responsável por em torno de 72% dos casos, outras causas mais raras são: hiperandrogenismo idiopático (sem causa determinada), hiperplasia da adrenal, tumores secretantes de androgênios, aumento da prolactina e outros.

Além do hiperandrogenismo, a SOP pode manifestar deficiência de ovulação e dificuldade do endométrio (tecido reveste internamente o útero) em receber o embrião e assim, diminui o potencial reprodutivo. Outras manifestações relacionadas com a SOP são a resistência periférica de insulina (tendência à diabetes mellitus), aparecimento de manchas escuras em dobras da pele (acanthosis nigricans) e ganho de peso, principalmente em abdômen.

O diagnóstico da SOP é por meio da observação das manifestações clínicas e os exames laboratoriais podem observar o aumento de LH (hormônio luteinizante), principalmente em comparação com FSH, porém, dado a variação ampla deste hormônio pode estar normal mesmo nas mulheres com SOP, principalmente, quando associada à obesidade e a insulina endógena aumenta a secreção do LH.

O S-DHEA (sulfato-dehidroepiandrosterona) androgênio produzido pela adrenal pode estar aumentado em 50% das mulheres com SOP, a taxa da glicose do sangue no sangue, também, pode estar elevada. E, a progesterona baixa no período pré-menstrual indica a não ocorrência da ovulação. E, o SHBG (globulina carregadora de hormônios sexuais), habitualmente, é baixa nas mulheres com a SOP, pois, sua produção é inibida pela testosterona e a insulina. Outros exames que são utilizados para afastar outras causas de hiperandrogenismo são: dosagem de prolactina, TSH e T4 livre, dosagem de cortisol matinal após sobrecarga de dexametasona para o diagnóstico de síndrome de Cushing.

O baixo, porém, constante nível de FSH estimula o crescimento dos folículos, porém, não é suficiente para a maturação completa e ovulação. Assim, o vida do folículo estende por meses e sua teca mantem a produção de hormônios. E, deste modo, o ultrassom pélvico pode evidenciar o aumento do volume ovariano caracterizado por 12 ou mais cistos de 2 a 9 mm. A dosagem do hormônio anti-mulleriano elevada também pode ser utilizada para o diagnóstico da síndrome.

Cabe, também, destacar que as mulheres com SOP podem ter a resistência à insulina, ou seja, fator predisponente à diabetes mellitus e em algumas situações associam com a hipertensão, aumento dos colesteróis e assim denominado de síndrome metabólica ou síndrome X.

O tratamento da SOP depende de muitas peculiaridades, porém, o interesse da paciente deve ser o principal motivador do planejamento, portanto, se o desejo for melhorar a acne, deve ser priorizado este ponto, por outro lado, se for a gravidez na paciente com deficiência de ovulação os indutores devem ser considerados e assim por diante.

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